Menino de RioClaro-SP
Poema á RAUL.
Tenho vários livros
...sobre águas...sobre meninos.
Um menino de nome Raul:
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos amigos.
A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
ou criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que:
os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino...
Com o tempo descobriu que ESCREVER seria
o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser
rei, principe. noviça, monge,
mendigo ou presidente.
Soberano...
ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
POETA...ESCRITOR.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E... começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava em RAUL com ternura.
A mãe falou:Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens escritas
e, algumas pessoas
vão te amar por seus escritos.
LEMBRANÇASminhas.
SAUDADES de cada instante.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Ainda há TEMPO...
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ligar dar telefonemas enquanto dirige pq. ñ pode perder o tempo da viagem até a emprêsa. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho pq. já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa... E a fazer fila para pagar... E a pagar mais do que as coisas valem... E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes.
A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A procurar no Buscapé.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos,a esquivar-se do ladrão e da policia...de faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma..................................................essa é vida?????????????
**************************************************************
-----------HOJE É DOMINDO.
-----------PÉDE CACHIMBO...O CACHIMBO É DE OURO...LÁ ESTÁ O TOURO...O TOURO É VALENTE...BATE NA GENTE...
A GENTE É FRACO...AÍ; VEM O BURACO...O BURACO TEM SETE PALMO....
ACABOU-SE O MUNDO A VIDA.
MAIS UMA VIDA SE FOI...
PASSOU.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ligar dar telefonemas enquanto dirige pq. ñ pode perder o tempo da viagem até a emprêsa. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho pq. já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa... E a fazer fila para pagar... E a pagar mais do que as coisas valem... E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes.
A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A procurar no Buscapé.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos,a esquivar-se do ladrão e da policia...de faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma..................................................essa é vida?????????????
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-----------HOJE É DOMINDO.
-----------PÉDE CACHIMBO...O CACHIMBO É DE OURO...LÁ ESTÁ O TOURO...O TOURO É VALENTE...BATE NA GENTE...
A GENTE É FRACO...AÍ; VEM O BURACO...O BURACO TEM SETE PALMO....
ACABOU-SE O MUNDO A VIDA.
MAIS UMA VIDA SE FOI...
PASSOU.
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